Por que o Windows 9 nunca existiu?
Entre o Windows 8 e o Windows 10, existe um “buraco” curioso que até hoje gera perguntas: por que o Windows 9 nunca existiu? A resposta não é tão simples quanto parece e envolve questões técnicas, estratégicas e até históricas dentro da própria Microsoft.
Um dos motivos mais conhecidos está ligado à compatibilidade de software. Durante muitos anos, diversos programas antigos foram desenvolvidos para identificar a versão do Windows usando verificações simples, como procurar se o nome do sistema começava com “Windows 9”. Esse método funcionava para reconhecer Windows 95 e Windows 98, mas poderia causar confusão se surgisse um sistema chamado oficialmente de Windows 9. Muitos aplicativos poderiam interpretar o Windows 9 como um sistema antigo, quebrando compatibilidade ou apresentando falhas inesperadas.
Além da parte técnica, houve também uma decisão de posicionamento. O Windows 8 representava uma ruptura grande demais com o passado, enquanto o Windows 10 foi pensado como um “recomeço”. Pular diretamente para o número 10 ajudava a transmitir a ideia de que aquele sistema não era apenas uma continuação, mas sim uma nova fase do Windows, mais madura, estável e focada em unificar a experiência entre dispositivos.
Outro ponto importante foi o conceito de Windows como serviço. Na época do lançamento do Windows 10, a Microsoft defendia a ideia de que aquele seria “o último Windows”, recebendo atualizações contínuas ao longo do tempo, em vez de versões numeradas tradicionais. Nesse contexto, lançar um Windows 9 simplesmente não fazia sentido estratégico, já que o plano era abandonar a contagem linear de versões.
Também existe o fator psicológico e de marketing. O número 9, curiosamente, carrega uma sensação de transição, enquanto o 10 soa mais definitivo, mais “completo”. Para o público, o Windows 10 parecia algo mais moderno e confiável do que um hipotético Windows 9, especialmente após a recepção dividida do Windows 8.
Curiosamente, internamente, versões do Windows que poderiam ser consideradas um “Windows 9” chegaram a existir em estágios de desenvolvimento. Algumas builds iniciais do que viria a ser o Windows 10 foram tratadas como uma evolução direta do 8.1. Mas, quando o sistema começou a tomar forma, a Microsoft percebeu que aquela mudança precisava de uma quebra simbólica, e o número 10 cumpria bem esse papel.
O Windows 9 não deixou de existir por um único motivo, mas por uma soma de decisões técnicas e estratégicas. Evitar problemas de compatibilidade, reposicionar a marca Windows e marcar um novo capítulo na história do sistema foram fatores decisivos.
Hoje, o Windows 9 é lembrado como uma curiosidade histórica, quase um mito dentro da linha do tempo da Microsoft. Mas, de certa forma, ele existiu sim, apenas nunca recebeu esse nome. Ele vive nas transições que levaram do Windows 8 ao Windows 10, preparando o terreno para o Windows moderno que conhecemos hoje.

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